Cyberbulying: As ofensas que saíram da escola e foram parar na Internet

A palavra bullying deu significado para algo que acontece há muito tempo. A maioria dos autores, definem a prática como um comportamento intencional e agressivo, geralmente feito repetidamente por alguém ou algum grupo, que afetava uma vítima que dificilmente vai se defender. Mas, e quando essas agressões vão para o meio digital? Como lidar com essa situação?

Mas afinal, o que é esse tal cyberbullying?

Se antes toda essa agressão acontecia de forma presencial, agora ela chegou na Internet, principalmente nas redes sociais, atingindo preferencialmente os adolescentes. Dados do Instituto de Pesquisa (Ipsos), divulgados pelo Portal EBC, revelam que o Brasil é o 2º país que mais registrou casos de cyberbullying entre crianças e adolescentes, perdendo apenas para Índia.
Esses casos devem ser analisados com muita cautela, principalmente porque os agressores podem ser mais agressivos nestes casos, já que acreditam que ninguém vai descobrir a origem dos insultos. Isso faz com que as palavras dirigidas à vítima sejam mais duras.

Quais são suas consequências?

As ofensas pela internet podem trazer resultados devastadores para a saúde da vítima, consequências físicas e até mentais. Os sintomas mais comuns são:

· Crises de choro;
· Ansiedade;
· Dificuldades de concentração;
· Pesadelos.

Para piorar, o cyberbullying pode ser o pontapé inicial para problemas psicológicos ainda mais graves, fazendo com que a vítima se sinta culpada por tudo aquilo, amedrontada e até desesperada, podendo levar até ao suicídio. Não é difícil de encontrar casos como a da menina Dielly Santos, paraense de 17 anos que se matou na escola, pois já não aguentava as ofensas dos seus colegas do colégio, que sempre se estendiam para as redes sociais.
Este se tornou um caso emblemático e marcante, principalmente pela repercussão depois da morte de Dielly. Os portais que noticiaram o fato na época, começaram a receber comentários preconceituosos e gordofóbicos, mesmo se tratando de uma jovem que tirou a própria vida. Ou seja, nem a morte diminui as ofensas.

É possível dar fim ao cyberbullying?

Se o seu filho(a) está passando por essa SITUAÇÃO antes mesmo de tomar as medidas burocráticas em busca da punição para os responsáveis, é fundamental dar total apoio , mostrar que está do seu lado afirmando principalmente que a culpa não é dele (a).
Com apoio da família, é chegado o momento de procurar ajuda legal. Apesar dos cyber agressores acreditarem que, na Internet não há o risco de ser identificado, é possível sim fazer uma denúncia em uma delegacia.
Segundo o Código Penal, cyberbullying pode ser configurado como um crime contra a honra, ou seja, injúria, difamação e até calúnia, de acordo com o Artigo 138 do Código Penal Brasileiro. Dependendo do caso, há também a injúria racial, do Artigo 140 e de exposição de imagens de conteúdo íntimo, erótico ou sexual, pelo Artigo 218-C, incluindo ainda a Lei 13.718, de 2018. Existem diversas formas de punição, como indenizações por dano moral ou até quatro anos de reclusão.

Referências:

https://static.lgfl.net/LgflNet/downloads/online-safety/LGfL-OS-Research-Archive-2006-Goldsmiths-Cyberbullying.pdf
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.1111/j.1467-9450.2007.00611.x
https://www.redalyc.org/pdf/3498/349832329012.pdf
http://radios.ebc.com.br/tarde-nacional/2018/08/criancas-e-adolescentes-sao-maiores-vitimas-de-cyberbullyng-no-brasil